Filmes, debate e conversa | Quarta, Sexta e Sábado“A desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país. É esse o nosso problema.”
- Howard Zinn
![]() Jornal A Batalha
, de 7 de Agosto de 1922
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Greve Geral + Desobediência Civil + Dia Sem Compras
As ideias libertárias e o anarquismo
Elisée Reclus «A tarefa dos professores, esses obscuros soldados da civilização, é dar ao povo os meios intelectuais de se revoltar.»
Louise Michel (1830-1905 )
«Não se trata de saber se as pessoas estão suficientemente preparadas para um novo tipo de sociedade; mais importante do que isso é apurar se o desenvolvimento de certo tipo de instituições sociais permitem a expansão das potencialidades do ser humana, como a inteligência, a sociabilidade e a liberdade.»
Paul Goodman (1911-1972)*
*Paul Goodman foi um prestigiado sociólogo, activista, intelectual e escritor anarquista norte-americano que se destacou durante os anos 60 na contra-cultura e no movimento dos estudantes, co-fundador da Gestalt Therapy, e considerado o Thoreau do século XX.
Colóquio sobre Pós-anarquismo e as ideias libertárias no mundo contemporâneo,
Projecção do filme Memória Subversiva,
| de José Tavares |
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O linguista e dissidente norte-americano N.Chomsky é hoje em dia um dos nomes incontornáveis do pensamento anarquista contemporâneo. Mas, na verdade, atrás dele, existe toda uma corrente de pensadores e activistas sociais anarquistas muito pouco conhecidos pela maior parte das pessoas, o que explica o desconhecimento sobre as ideias e as lutas do movimento anarquista ao longo do tempo, facto este a que não é certamente alheia a intenção deliberada do poder instituído de apagar da memória, a que alguns chamam epistemicídeo, as ideias e experiências que se levantaram historicamente contra a dominação e opressão económica e social.
Enquanto pensamento heterodoxo, o pensamento anarquista não é conceptualizável como uma doutrina política fechada, definitiva e dogmática. Daí a sua permanente reactualização face à evolução social e à emergência de novos horizontes teóricos.
Um documento sobre a história do movimento libertário português e o seu enquadramento no contexto da realidade internacional de épocas sucessivas. Memória Subversiva é um documento histórico único sobre as ideias e vidas radicais de alguns protagonistas das lutas operárias que marcaram a primeira metade do séc. XX.
São Martinho, Timor, Jorge Fallorca e Joseph Beuys
Se o vadio não erra o caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho.
Magustianos vadios, amantes das capicuas, a partir de 11 11 11 celebremos o São Martinho.
Ao longo do fim de semana, quentes e boas sempre a sair, começamos com Timor e veremos um filminho!
Depois vêm as leituras, jeropiga e água-pé, "A Mulher Descalça" de Fallorca promete pasmar o vizinho.
De Beuys, "Cada Homem um Artista" fechará com ritual: haverá queimada e conjuro, caldo verde, pão e vinho.
Verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho.
Balibo de Robert Connoly
Filme (2009)
Sexta, 11-11-11, 22h
Era ainda noite em Portugal, quando a 12 de Novembro de 1991 mais de duas mil pessoas reuniram-se numa marcha até ao cemitério de Santa Cruz, em Díli, para prestarem homenagem ao jovem Sebastião Gomes, morto em Outubro do mesmo ano. Vinte anos depois do Massacre de Santa Cruz, são velas nas bermas das ruas que carpem os disparos das forças indonésias sobre a multidão. Doze anos depois dos meses sangrentos de 99 que se seguiram ao referendo, "nesta terra de cruzes, valas comuns e desaparecidos", falta "devolver os ossos ao apaziguamento dos vivos."Duzentos mil mortos depois de uma ocupação de 24 anos, "a injustiça e a impunidade são valores seguros em Timor-Leste".(Timor Leste A Ilha Insustentável, Pedro Rosa Mendes, Público - 25/11/2008)
A projecção de BALIBO é um pretexto para o tributo ao movimento libertário do povo maubere: um thriller político sobre história verídica de outros crimes, cometidos enquanto a Indonésia se preparava para invadir o território em 1975, e encobertos durante mais de 30 anos.
A Mulher Descalça de Jorge Fallorca
Lançamento com o autor e Cláudia Sousa Dias
Sábado, 12 de Nov., 17h
Jorge FALLORCA é escritor, tradutor e autor do blogue «O cheiro dos Livros». Natural de Mortágua, exerceu ainda jornalismo e teve uma intensa actividade profissional na rádio tendo participado em programas que fizeram história. Autor de uma escrita impregnada de um quotidiano desencantado e dissidente da massa, Fallorca é pela sua singularidade iconoclasta uma voz libertina nesta choldra em que pastamos. A propósito dele, escreveu Vítor Silva Tavares no prefácio ao seu livro «Imitação da Morte dos Outros»:
«(...) Vamos, palavra
faz de conta que te espreitam paraísos
e o dobrar da vírgula
estrada fora.
Pra já pra já
o lápis na braguilha
os cornos no retarto
- resposta de papel
ao vómito e ao uivo
B A BASTA!
desterremos estes olhos
abjectos dejectos
Virgem putíssima
a Paisagem Deslumbrante
escancara a vulva
à brigada internacional
das Novas Visões.
Jorge Fallorca
aturdido
VEM-SE.»
Cada Homem um Artista de Joseph Beuys
Apresentação por Júlio do Carmo Gomes
Domingo, 13 de Nov., 17h
“Não existe nenhuma experiência que permita saber que argumentos restam ao sistema frente a um modelo radical de liberdade”, Beuys
Figura central da consciência artística na Europa do pós-guerra, a obra de Beuys (1921-1986) tornou-se numa permanente “instalação verbal”, fulcro da sua desdobragem enquanto activista, pensador e professor itinerante (o fluxo beuysiano levou-o a fundar a Universidade Livre Internacional, a Organização para a Democracia Directa ou os Verdes), e rastilho incontornável da sua figura controversa e prometeica. Poucos artistas no século XX rivalizaram Beuys na ruptura estética, na amplitude artística e na contínua experimentação do seu inusitado processo de expressão artística enquanto escultor, performer, pedagogo, pensador radical e activista social.
Esgotada a primeira edição, a 7 Nós volta a trazer aos leitores o percurso ímpar de Joseph Beuys.
Notas a propósito da Assembleia Popular do Porto
"O Evangelho Segundo o Precário" + Leitura de histórias de Daniil Harms
"Sejamos preguiçosos em tudo, excepto em amar e em beber, excepto em sermos preguiçosos"
Lessing
De todos os direitos humanos ainda por inscrever na famosa Carta, a preguiça é certamente um dos mais vulgarmente desprezados e esquecidos. A exaltação do amor pelo trabalho, do desejo destrutivo pelo labor, continua a torturar esta infeliz humanidade, extenuando sem apelo nem agravo as forças vitais de gerações e gerações.Numa altura em que a palavra de ordem da Ordem estabelecida é (outra vez, que estafa...) "Trabalho, trabalho, trabalho!", a Saco de Gatos convida-o a esticar-se ao comprido, enroscar-se na chávena de chá porque o frio já aí está, e a calmamente digerir connosco tudo o que se tem passado ultimamente. É que se adivinham dias bastante ocupados, ou pelo menos com muitas Ocupações, e a preguiça também serve para isso mesmo, para inspirar e ganhar balanço...Nesse espírito, a programação desta semana é totalmente assegurada por propostas de colectivos exteriores à associação Saco de Gatos e que, aproveitamos para dizer, temos todo o gosto em tornar possíveis.
Que esta seja a primeira de muitas vezes! (e só para o caso de não termos sido suficientemente explícitos: estamos abertos a propostas de actividades, por isso, venham elas)
Quarta-feira, dia 2 às 22h
Colectivo F.e.r.v.e., Fartos destes Recibos Verdes, apresenta:
O evangelho Segundo o Precário - Filme de Stefano Obino
Este um filme muito especial, não só pelo tema escolhido, como também pela forma como foi financiado. Retrata quatro histórias cruzadas de pessoas que têm vidas precárias, relações de trabalho angustiantes, que são maltratadas por chefes prepotentes. Algumas reagem, outras adaptam-se.
Sábado, dia 5 às 17h
Miguel Gouveia (editora Bruáa) e Rui Manuel Amaral lêem histórias de Daniil Harms:
Daniil Harms (1905-1942) pertence à última geração dos grandes vanguardistas russos que ainda ousaram exprimir-se com liberdade e ironia. É um dos mais originais representantes das novas perspectivas literárias que influenciaram a Rússia e o mundo desde o final do século XIX até ao final do primeiro terço do século XX.
Veja um trailer aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=A8IP7bbew98












